KILLING EVE – O MONSTRO QUE HABITA EM NÓS

Killing Eve desconstrói mitos, humaniza e desnuda personagens com diálogos inteligentes e personagens carismáticos
Killing Eve
ROBERT VIGLASY/BBC AMERICA/ DIVULAÇÃO

Criada por Phoebe Waller-Bridges ( Fleabag), Killing Eve ao longo de 3 temporadas, vem conquistando fãs e inúmeros prêmios.

Inspirada no livro Codinome Villanelle, Killing Eve escapa do estereótipo do masculin0 no ofício investigativo ao colocar duas protagonistas femininas, forte, livre dos clichês de músculos, tiros e habilidades sobre-humanas.

A primeira vista seria uma série de detetive, uma caçada à la gato e rato entre a investigadora Eve Polastri ( Sandra Oh) e a assassina Villanelle (Jodie Comer).

Eve vive uma vida comum, com um trabalho burocrático, enfadonho, até que um dia descobre a conexão entre uma série de assassinatos que todos diziam serem praticados por um homem, não por uma mulher.

Uma obsessão mútua nasce entre Eve e Villanelle.

Uma atração psicológica ambígua, alimentada por diálogos inteligentes do ácido humor britânico e pelo volume máximo de tensão com contornos sexuais.

Desconstruindo Eve

OBSESSÃO – Sandra Oh e Jodie Comer – Uma atração psicológica e perigosa – Foto: Divulgação

De forma literal, killing significa “matar, assassinato”, porém, como adjetivo significa “irresistível”.

É com esses dois termos que vemos a desconstrução que Eve ao longo das temporadas, uma personagem que mesmo tendo um emprego estável, amigos e um marido bonitão, vive o antagonismo da mulher moderna, empoderada, ou seja, é o bastante, ou há o desejo do algo mais?

Focada, resiliente e com a moral acima de qualquer suspeita, essa é a Eve.

Por outro lado, temos Villanelle, uma assassina sedutora, materialista e sem empatia que odiamos amar pelo grau de humanidade que dá a personagem.

Quando esses dois universos se encontram há um choque de realidade?

” Acho que o meu monstro encoraja o seu monstro, certo? Acho que todos temos monstros dentro de nós”

Killing Eve – Dupla Obsessão – Foto – Divulgação
Killing Eve

Nesta terceira temporada de Killing Eve, temos acesso a mais camadas dessas personagens, ora fragilizadas, ora fortes e conseguem aprofundar mais em Villanelle e suas origens e em Carolyn e seu relacionamento com a sua filha.

Mulheres inseridas em um mundo masculino, numa vida enfadonha, desajustadas com emoções complexas e com dores internalizadas.

Junta-se a dupla Carolyn ( Fiona Shaw), chefe do MI6 – Serviço da Inteligência Britânica – fria e introspectiva que internaliza tudo e todos.

Em um dos momentos ápices dessa temporada, as personagens são levadas a enfrentar o passado para achar respostas para o futuro.

Temos a capacidade de mudar? Até que ponto somos influenciáveis?

Ou como uma das protagonistas diz ” Acho que o meu monstro encoraja o seu monstro, certo? Acho que todos temos monstros dentro de nós”.

Definitivamente é uma trama repleta de personagens ambíguas, feminina sem feminismo e com ótimas atuações.

Com 3 temporadas, cada temporada com 8 episódios, ou seja, curta e ótima para maratonar e ficar em dia para a última temporada em 2022.

Portanto, uma série indicada para os querem sair dos maneirismos.

KILLING EVE Official Trailer (HD) Sandra Oh, Jodie Comer Thriller BBC Series

Ligações externas

IMDB : Killing Eve: Dupla Obsessão (Série TV 2018-2022) – IMDb

Autor: carinafeitosa

Estudante de Jornalismo, tataraneta da poeira cósmica, devota de Nossa Senhora da Cinefilia e pensadora itinerante

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