Medusa

É uma das histórias mais conhecidas da mitologia grega, até mesmo para aquele que não é um ávido conhecedor de mitologias no geral, já deve ter ouvido falar sobre Medusa

Em algum momento se deparou com filmes como a saga Percy Jackson, ou até mesmo o blockbuster Fúria de Titãs, então já devem estar familiarizados com a imagem da horrível mulher com cabelos de serpentes, olhar petrificador e sabem dos perigos de confrontar a górgona, ou seja, vamos falar sobre a Medusa.

Grécia Antiga
Representação da Medusa pelo pintor Caravaggio/Crédito: Domínio Público

Se observamos todas as histórias em que Medusa faz parte há um fator comum, ela é vista sempre como uma vilã.

Existem inúmeras versões sobre a sua origem, poetas como Ésquilo, Hesíodo e Ovídio, já narraram sobre tal criatura.

Alguns dizem que ela fazia parte dos seres primordiais e que já nascera horrenda, porém existe uma versão, que por sinal é pouco conhecida, onde vemos Medusa não como vilã, mas sim como vítima.

A lenda

Para contar essa história, teremos que incluir outras divindades do Olimpo, como o tempestivo Poseidon, deus dos mares, Atena, deusa da sabedoria e das artes – filha de Zeus e sobrinha de Poseidon – e para finalizar, o semideus Perseu.

Medusa era filha das divindades marinhas, Forcis e Ceto e entre todos os irmãos, era a única mortal, e que de acordo com Hesíodo, era descrita como uma mulher linda, vaidosa, repleta de elegância e com um invejável cabelo.

Medusa vivia com suas outras irmãs no templo da deusa Atena (deusa a qual desde a infância, admirava e respeitava). Seu sonho era ser uma das sacerdotisas da deusa, onde a castidade era um dos fatores primordiais para continuar a exercer o sacerdócio, pois a própria Atena, que entre todas a divindades juntamente com a deusa Artemis, eram as únicas que não tinham “missões domésticas” e que se vangloriavam de suas respectivas castidades.

Entretanto, sua beleza, atraia os olhares de homens mortais e imortais, que iam ao templo não para orar e honrar a deusa e sim, para cortejar Medusa – que negava todas as investidas – a mesma, já havia sido orientada pela própria deusa Atena, que sua vaidade ainda lhe custaria caro.

Um de seus cortejadores era Poseidon, que já havia tido alguns desentendimentos com a sua sobrinha, sendo que esta peleja se deve ao fato de terem disputado para ver quem seria o padroeiro da cidade de Ática. Venceria, aquele que ofertasse o presente mais útil para a população

Atenas forneceu uma muda de oliveira, útil para a fabricação de azeita de oliva e Poseidon, uma fonte de água.

Como resultado, a cidade mudou de nome de Ática para Atenas, em outras palavras, pelo nome adotado, já sabemos quem saiu vitorioso.

A disputa entre Atena e Poseidon/Crédito: Wikimedia Commons

Medusa e seu destino

Poseidon, buscando se vingar contra Atena e cansado das negativas da sacerdotisa Medusa, então, em um ato de fúria e a força, a viola dentro do templo em frente da estátua da deusa.

A história de uma jovem que é obrigada a fazer o que não quer. Quem nunca ouviu uma? Continuemos…

Ouvindo os rumores do ocorrido, Atena que entre todas as sacerdotisas que ouvisse a história acreditaria, porém, vindo de Medusa não. Havia sido alertada sobre os males da vaidade.

A vítima e punida, Medusa e suas irmãs são expulsas do templo e obrigadas a solidão eterna.

Como castigo, é transformada em um horrível monstro com cabelos de víboras, pele de escamas, dentes de javali e para finalizar, todos que ousassem a olhar para ela, se transformariam em pedra.

A história de um monstro cruel, que transforma pessoas e animais em estátuas só com o olhar se espalha, guerreiro de vários lugares vão em busca de fama ousando enfrenta-la, então sua solidão eterna é perturbada.

Um novo olhar sobre Medusa

O semideus Perseu entra na história como aquele que conseguiu vencer a górgona. Na batalha contra Medusa sai vitorioso graças a ajuda de outros deuses. Hades, Hermes e é claro, Atena.

Hermes dá as suas sandálias aladas, Hades, um elmo que deixa invisível quem o usa e Atena, um escudo tão polido, que podia se ver o seu reflexo ao olhar para ele. Três presentes que foram definitivos para a sua vitória.

Perseu, guiado pelo reflexo no escudo, sem olhar diretamente para Medusa, derrota-a, cortando-lhe a cabeça.

Grécia Antiga
Pintura representando a decapitação de Medusa por Perseu/ Crédito: Domínio Público

Diz a lenda que medusa estava grávida e, que quando foi morta, o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor, surgem de seu ventre.

Após a morte Medusa, Poseidon vai ao encontro da deusa Atena e lhe conta toda a verdade, logo ela, tão sábia e integra, sente-se culpada e se vê como mais uma divindade que desconta a sua fúria e frustração em uma pessoa inocente.

Atena recupera a cabeça de Medusa com Perseu e a coloca em seu escudo como lembrete de seu maior erro.

Imortalizada no escudo da deusa que adorava, Medusa ressurge como símbolo de proteção e que a sabedoria mais valiosa, é a humildade de admitir e aprender com os próprios erros.

A mitologia mais uma vez nos ensinando mais algumas lições, a de se livrar de preconceitos, falsos julgamentos e a maturidade de admitir um erro, verdades que podem nos livrar de situações catastróficas.

Para saber mais:

Café Filosófico : Medusa e Perseu – Imaginação e Maldição | Carlos Byington e Maria Helena Guerra – YouTube
A jornada do herói mais uma vez revela sua força no mito de Medusa e Perseu. Um tema hegemônico nas histórias mitológicas, embora cada vez contado com roupagens diferentes.

Wikipedia: Medusa – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

Autor: carinafeitosa

Estudante de Jornalismo, tataraneta da poeira cósmica, devota de Nossa Senhora da Cinefilia e pensadora itinerante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.